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ilustre (des)conhecido


O almoço e a (não) rotina

Tem gente que levanta da cama sempre no mesmo horário, faz as mesmas coisas e tem a rotina como eterna companheira. Eu não. Prefiro sempre fazer tudo diferente. Não que eu seja uma pessoa desleixada, que viva em um mundo-que-é-só-meu. Não é isso. Simplesmente é um fardo – para mim – ter que acompanhar a rotina.

 

Rotina é um saco. Toda e qualquer, sem nenhuma distinção. Aquela coisa metódica, planejada e estudada. Aquela visão calculista, matemática, que deteriora a surpresa e um dos grandes baratos da vida: o acaso. Sim, as situações inesperadas que você tem de enfrentar e que, ao sabor do vento, tornam-se imensos e felizes casos de sorte.

 

Por isso vivo em grande parte ao sabor do acaso. Não quero convencer a todos de que esse é o melhor dos caminhos, pois o mundo ainda sim precisará dos práticos, metódicos e afins. Não levantar da cama na mesma hora de todos os dias, de costume, já é sinal de que a rotina não pega, não cola. E falo, sempre: dez ou quinze minutos, antes ou depois, faz enorme diferença.

 

Repetir o horário por dois dias já é sinal claro de como a rotina afeta – ou me afeta. Encontrar sempre as mesmas pessoas no ônibus, ouvir as mesmas conversas, chegar e encontrar as mesmas pessoas no trabalho, as que são rotineiras de um horário previsível. Isso, por força da condição, me faz mudar de hábitos vez ou outra.

 

Inacreditavelmente a mudança atinge até a mais sagrada das horas do trabalho: a do almoço. Aquela em que sentamos no restaurante, vemos os programas de esporte (mesmo que a TV esteja no mudo) e que descansamos por longos e saboroso 60 minutos. Você pode pensar que isso é rotina, mas de fato não é. Os rotineiros são aqueles que vão ao mesmo lugar, sempre!

 

Eu não. Diversificar o local do almoço, além de alimentar o espírito do bom comedor (de conhecer novos lugares, sabores e delícias), é também uma forma de escapar momentaneamente daqueles mesmos encontros citados acima. Incrível, de fato, é ver que, mesmo sem conhecer certas pessoas, você percebe que elas também agem e interagem dessa forma, ou seja, fogem da rotina.

 

E você, nesse caso, tenta de tudo. Vai a todos os restaurantes por quilo da região, às padarias (para o tradicional X-bacon), às lanchonetes especializadas, como árabes, entre outros. Até hoje mesmo, quinta-feira (07/05/2009), ao almoçar dois pastéis e uma coca-cola em feira livre, almoçando como se fora uma daquelas pessoas que não tem a “sagrada uma hora de almoço”.

 

E lá estava eu, saboreando um pastel de Bauru e um de carne, refrescando-me com um refrigerante bem gelado (sei que a combinação deveria ser com caldo-de-cana, mas hoje não estava a fim), vendo todo tipo de pessoa; senhores engravatados, provavelmente dos bancos da região, vendedores das lojas de roupa e transeuntes a esmo.

 

Porém, o que mais me chamou a atenção nesse caso foi um em especial: não pelo fato de ela estar comendo pastel de feira, mas sim pela sua idade, a mesma na qual médicos indicam que “não é bom fritura em excesso”. O antagonismo foi claro, e me deixou alegre. Senhora idosa que mesmo com a cesta cheia de verduras, legumes, frutas – os ditos alimentos saudáveis – estava saboreando com gosto e enorme prazer a iguaria típica de todas as feiras.

 

E amanhã vai ser outro dia. Restaurante japonês, árabe, tailandês, chinês, padaria? Bolinho de carne, coxinha de frango, sushi, sashimi, camarão na moranga, salmão grelhado, picanha? Uma coisa é certa: restaurante vegetariano é o único que não vou entrar. Mas aqui, por favor, sem discussão e sem alarde. Não sou contra, só não gosto de comer SÓ mato.

 

O que vou almoçar amanhã? O acaso é quem decide. Bom apetite!



Escrito por Marcos Thadeu às 16h28
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