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Viva, porra!
Vá dizer a todos e aos quatro cantos e a plenos pulmões que você me venceu. Vá dizer a todos que em tempos como esse eu sou apenas mais um, mais um que te vi aqui, ali. Mais um que não sabe o que vai fazer quando o próximo verão chegar, se é que nessas condições, nessas intermináveis dúvidas, o verão voltará a irradiar raios quentes e confortantes de luz, aquele que admirávamos e que nos fazia pensar, refletir para o bem da nossa imaginação. Morro ou caio ou recuo ou, ainda, me submeto a situações dentro da verdadeira condição de quem perdeu uma batalha, de quem um dia tentou incansavelmente saber o que se deve esperar da vida, aquela que passa à frente dos meus olhos e eu, desatento, deixo passar sem levar nada dela, sequer uma lembrança, um sorriso seu ou retrato dentro do meu inconsciente que remetesse a tempos mais tranquilos. Passo agora, no entanto, apenas a contemplar as mágoas que você deixou como se fosse aquela minha camisa que mais gosto, dobrada em cima da cama, aquela que está sempre lá quando eu mais preciso. E nessas inquietações próprias em grande parte por conta de nossa mais tenra desobediência, apenas esqueço um pouco do irrefutável caminho a seguir. O adiante, o próximo passo, sempre o mais doloroso deles. O coração, agora estraçalhado e dilacerado, corrói de tal forma que é no deitar da cabeça no travesseiro que sucumbo a mais nobre das atividades humanas e a mais honesta nesse tempo de solidão: chorar (e compulsivamente). É pensando, a bem da verdade e do espírito: viver é mais do que isso, viver tem que ser mais do que isso. Viver é mais do que sofrer e lembrar os tempos em que a lua era realmente bela e o grande astro no céu, no infinito, aquele que nos inspirava, brilhava ao longe, no escuro, e era refletido na beleza e na profundidade dos seus olhos. Viver é bem mais do que se esgueirar na complexa relação do acaso e tirar apenas proveito feliz de quaisquer das situações. Viver é bem mais do que enfrentar as adversidades de fundo, ao sabor do vento, apenas esperando a reação adversária. Não posso conceber, viver tem que ser mais do que isso. Viver tem que ser, acima de tudo, um grande vai-e-vem, de idas e vindas que nos façam crescer, entender e nos defender. E àqueles que acham ou defendem que se esconder atrás de uma grande e invisível barreira, amedrontar-se ante as diversidades ou no jargão popular “tapar o sol com a peneira” é o caminho correto: nas involuntárias interpretações que corriqueiramente fazemos, no achismo de todos os dias é que se escondem alguma das grandes verdades e que nos tornam fortes e corajosos o suficiente para dar o próximo passo, aquele que é sempre mais doloroso.
Escrito por Marcos Thadeu às 18h01
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As divindades continuam escrevendo
diante do que aconteceu ontem, no estádio MUNICIPAL do Pacaembu, só tenho algo a dizer: minha preocupação subiu um degrau, hoje está no segundo nível* espero que nessa escalada de níveis, ronaldo não pegue uma escada rolante. *os níveis são variáveis. porém, geralmente chegam a, no máximo, oito ou dez.
Escrito por Marcos Thadeu às 12h24
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Quando está escrito...
...não há nada, de fato, que mude. A verdade, nua e crua, bateu aos 47 minutos do segundo tempo. Ele estava lá. Hora e local. Ponta da área, zagueiro que não é zagueiro. Tudo conspira a favor, mesmo que até essa altura somente o placar indicara o contrário. Mas, mesmo assim, houve aquele que ainda acreditasse. Aquele que se posiciona atrás dos zagueiros. Uns diriam que ele estava se escondendo. “Atacante que fica atrás dos zagueiros tem medo de jogo”. Balela, besteira, pura mentira (infelizmente). Posicionamento é para quem sabe, para quem tem visão, para quem tem experiência, para quem tem noção e para quem conhece a ruindade dos zagueiros adversários. Sim, tudo conspira a favor. Um cruzamento bem feito, um jogo eletrizante, uma estreia (a de quarta não valeu!) digna de Oscar. É verdade, infelizmente é verdade. O ator dessa fábula é daqueles que roubam o filme, literalmente. E acho que foi coisa de Deus, que em algum súbito momento, entre uma cerveja e outra, lá em cima, depois daquela picanha bem tirada, com farta capa de gordura, decidiu: era dia Dele voltar, e ao topo, e em grande estilo. Desde o começo, e isso bem antes das cervejas, Deus já havia decidido. Não se sabe o motivo aparente, Ele decidiu, mexeu os pauzinhos e pronto. Não tinha mais volta. Vão dizer que Ele ajudou. Sim, eu acho. Não tenho a menor dúvida de que a mão Dele estava lá. Empurrando angelicalmente o zagueiro da frente, segurando magistralmente no chão o volante que cobria o canto da trave, impedindo ele de pular, e colocando uma tela invisível à frente do arqueiro para que esse não saísse “socando tudo o que via pela frente, com sorte até a bola”. Tudo conspira a favor. Só alguns não percebem. Tudo estava escrito, não sei se por Deus, nas estrelas ou em qualquer outra divindade que se acredite. Buda, Alá, Barack Obama, Raul Seixas, Tim Maia, sei lá. Estava escrito, isso eu sei. E, meninos, eu vi. Atônito, as palavras não saíam. Atônito, as pernas bambearam. Atônito, a felicidade alheia me incomodou. A cerveja, outrora gelada, refrescante, de gosto límpido e saboroso, descia quente, amargamente horrível e, tampouco, era um prazer como tantas vezes já tinha acontecido naquela tarde. A felicidade de uns, exacerbada entre aqueles que cabisbaixos não acreditavam no que estava acontecendo ali, corroia por dentro. Mas aconteceu, estava escrito. Nunca aquele cartaz (ridículo) do EU JÁ SABIA fez tanto sentido. É verdade. Estava escrito, só o Luxemburgo e o Marcão que deram de ombros à ameaça real e iminente que leva o nome de Ronaldo, que hoje já não é mais o Fenômeno, mas ainda faz estragos por onde quer que passe. Sim, rapaziada, estava escrito. Tenho medo (e grande admiração) do (pelo) Ronaldo. É um dos maiores que eu vi jogar. Um dos TOP 5, com toda certeza. Se não for um TOP 3. Espero que ele não apronte mais, e que mais nada esteja escrito, nem por Deus nem pelas estrelas ou pelas divindades futebolísticas. O que tenho a dizer, de verdade, é somente uma coisa: bem vindo de volta, Ronaldo. E é isso, oras. Fazer o quê? Tem que aplaudir, de pé, apenas.
Escrito por Marcos Thadeu às 18h14
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