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E em 2008...
...ganhei mais cervejas que não conhecia que se juntaram às conhecidas, ganhei novos bares, ganhei novos donos de bares para conversar, ganhei novos restaurantes, ganhei novos pratos, ganhei novas amizades, ganhei partidas de sinuca, ganhei novos horizontes, ganhei novas tarefas, ganhei mais trabalho, ganhei mais em conversas de bar, ganhei mais em roda de amigos, ganhei em shows inesquecíveis, ganhei novas bandas, ganhei novos lugares, ganhei novas convicções, ganhei velhas conquistas, ganhei grandes baratos, mas também...
...ganhei meus primeiros sinais de gastrite, ganhei minhas primeiras caixas de Omeprazol, ganhei meus primeiros cabelos brancos, ganhei um cavanhaque desgrenhado, ganhei muitos quilos, ganhei e sustentei a conhecida forma de Tio Mariano, ganhei dívida em quase todos os bares, ganhei dívidas em quase todos os cartões, ganhei dívidas com quase todos os meus amigos, ganhei dívidas com a operadora de celular, ganhei muito mais ressaca nos dias seguintes às bebedeiras homéricas, ganhei muito mais dor de cabeça, enfim, ganhei muito mais do que perdi.
E, mais do que tudo...
...ganhei muitas histórias para contar e uma infinidade para esquecer.
Até o ano que vem, moçada.
Escrito por Marcos Thadeu às 15h41
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O bêbado e o celular
Era uma vez (sim, isso é praticamente uma fábula e, como tal, deve começar dessa maneira) uma empresa de telefonia que revolucionou o mercado no meio para o final da década de 90. Essa empresa criou o que muita gente mais velha só viria a ter conhecimento nos filmes de ficção científica. De uns tempos para cá a invenção ganhou forma, planos e, mais do que nunca, desbravou fronteiras. Estou falando do celular.
Sim. Indispensável nos dias de hoje, o aparelho é comparado à carteira, ao documento de identidade ou à chave do carro, você não pode sair de casa sem ele. E se por um acaso sair, pode contar, vai ter sérios problemas. Seja com a família, com os amigos e/ou, principalmente, com a namorada – as que, de longe, foram as mais beneficiadas pela grande jogada e sacada dos celulares: a falta de privacidade e o fato de poder ser achado em qualquer parte da cidade, do estado ou, até mesmo, do País e do mundo.
O celular alimenta também a percepção e o poder de quem não tem nada mais o que fazer e resolve, sem mais nem menos, ligar para todos os amigos da agenda a fim de chamá-los para aquela cervejinha de fim de tarde ou para aquela festa que vai acontecer no exato momento da ligação e que você, desatento como sempre, esqueceu-se que era nesse dia e, como de costume, não tinha marcado nada com ninguém.
Pois bem, eficientemente falando, o celular é, sim, um grande avanço à modernidade. Os modelos hoje fazem de tudo – até ligação, como diz meu pai: tiram fotos, fazem filmes, baixam música, reproduzem arquivos em MP3, gravação de voz, agenda telefônica, de compromissos, e mais um monte de coisa que você nem sabe, pois teve preguiça de ler o manual. Enfim, uma variada gama de opções que, mesmo assim, não impedem um total desleixo de seus proprietários.
Desleixo, evidentemente, não causado única e exclusivamente por conta do aparelho ou por conta da invenção propriamente dita. Não, muito pelo contrário. A inépcia nesse caso bate à porta de quem deveria zelar pela honestidade no uso da linha telefônica, mas, diante de tal situação, submete-se à clara impulsão por usar, de maneira inoportuna, às vezes, o aparelho que deveria ser, prioritariamente, uma ferramenta, muitas vezes de trabalho, ou um instrumento de localização e de conversa.
Sinto na pele, e posso dizer com certa e infeliz propriedade, que álcool e celular pós-pago não combinam. E não é porque você apenas faz ligações esporádicas a qualquer pessoa, a qualquer hora do dia ou da noite. Não. Definitivamente não é isso. É muito pior.
Dizem os mais econômicos que celular serve apenas para informar a localização ou informações prévias e pequenas do tipo: “estou no bar, vou chegar tarde”, “passa lá em casa, precisamos conversar”, “vamos à casa de fulano, pois está rolando uma festa”, e por aí vai. O que as operadoras não contavam (e nesse caso, elas torcem à beça) é que quanto mais alto o estado alcoólico, maiores ficam as conversas. Repare, tente ver quanto tempo você ficou no celular na última vez. Vai lá!
Acontece com grande parte da população alcoolicamente ativa. E, podemos notar, como é impressionante termos sempre assunto em tão pouco sentido de lugar, espaço e sanidade mental. No final, vem sempre aquela sensação de imprudência. Você acessa seu saldo na operadora e descobre que 1/3 do seu plano já foi para o espaço no primeiro dia do mês. Pior do que isso é ver que, em 30 minutos de conversa, você (in)felizmente não lembra sequer de três segundos.
Isso, evidentemente, só não é pior quando você resolve emprestar seu celular para certos amigos que querem salvar ou terminar o próprio relacionamento via celular. Mas aí é outra história (bem mais comprida).
Escrito por Marcos Thadeu às 15h44
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