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ilustre (des)conhecido


No forró-bodó da Congresso*

Sempre tive uma visão romântica – e de certo modo idealista – sobre Congressos, Encontros, Simpósios e Reuniões Anuais. Achava que nessas solenidades apenas o formalismo exacerbado imperava, onde grandes questões eram debatidas e as conversas eram permeadas pelo tom da crítica, os problemas do Brasil e do mundo identificados e as soluções para sanar incompatibilidades dentro de um sistema fossem apresentadas.

 

Esse era o tipo de visão que eu tinha sobre esses eventos. Senhores e senhoras com seus milhares livros a serem carregados em maletas pesadas, seus óculos com elevado grau de miopia, sua figura hierárquica e onipresente às condições que o País apresenta no momento, suas conversas voltadas exclusivamente ao tema em questão.

 

Tinha, por vezes, a imaginação de que esses acontecimentos deveriam ser grandes marcos na história político-social de um país. Posso dizer, no entanto, que não necessariamente agem como marcos divisórios na relação a que se propõem, mas também, diante dessa dubiedade em que esses eventos apresentam respostas (quando apresentam), nos deparamos com a questão que afeta o cerne da dúvida: vale a pena mesmo existir um evento como esse?

 

A minha visão romântica e idealista começou a ficar turva e com severa opacidade quando aconteceu o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Intelectuais e estudantes se amontoavam para discutir, debater e analisar questões relativas e relevantes sobre a esfera mundial, como fome, segurança, saúde e tantos outros temas que fossem possíveis debater em tão solene acontecimento.

 

Outrora, pode-se dizer, nada do que foi debatido, discutido ou analisado voltou-se à população mundial como um ganhou ou, até mesmo, uma benfeitoria à qualidade de vida. Ferrenho ativista das causas humanitárias, até o ator Danny Glover (aquele do Máquina Mortífera) desembarcou em solo gaúcho. E que mudanças e propostas tivemos desde então? Se você não consegue responder essa pergunta, deve ser porque a resposta já foi dada.

 

O que dizer, também, das ditas reuniões do G-8, do G-20 e as da ONU. Senhores e senhoras empossados como líderes de suas nações e que não conseguem entrar em acordo algum para destinar alguns bilhões de dólares ou euros para sanar a fome na África ou pesquisar a cura do câncer o da AIDS. Ficam nesse vai-não-vai e até agora? Nada. A fome ainda mata. O câncer ainda se espalha e a AIDS ainda infecta os irresponsáveis.

 

Esse artigo tem fundamento para mim, pois vi realmente de perto como se passa em um evento como esse. Recentemente estive em um desses, de educação. Pesquisas, palestras e rodas de discussões propunham aumentar o nível de ensino nas escolas públicas do Brasil. Sei de algumas delas, sei que até ouvi o ministro da Educação falar. Só não sei se realmente isso irá virar realidade. Dentro de alguns anos, espero conseguir atualizar esse texto.

 

Mesmo em vista de um congresso de educação, o evento que presenciei também perdeu o caráter do formalismo que esperava encontrar diante de tão relevante questão. Posso dizer que, mesmo que as atividades tenham cumprido seu propósito, o formalismo passava longe, a goles de cerveja, do congresso. Deparei-me, em um dado momento, com mesas abarrotadas de latinhas vazias, pessoas conversando como se estivessem em mesa de bar.

 

Digo diante dessa cena, que fiquei aliviado, feliz por saber que mesmo por conta de suas posições, de sua classe intelectual, quem lá estava não perdeu a fé que o lazer também é importante. Mesmo em um congresso desse tipo, mesmo em um evento onde deveria ser levada a sério a mística do amigos, amigos negócios à parte. No bar da piscina, as mostras estavam claras – e vazias. Garrafas de uísque com seu néctar no final, o carregamento de cerveja que não dava conta nas geladeiras. E até mesmo um copo de Campari cheio até a tampa, apenas com uma rodela de laranja, foi degolado em poucos tempos.

 

A festa de confraternização, obviamente, foi uma extensão do que se via no hotel em Caxambu, no estado de Minas Gerais. Afirmo que a intelectualidade acadêmica pensante do Brasil também se delicia ao som de uma banda local que toca músicas do Capital Inicial, do Rappa, do Bruno e Marrone, de Macarena a Whisky A Go-Go e tantas outras bandas e músicas ridículas que compõem a música brasileira e mundial.

 

*o autor viajou à cidade de Caxambu por força do trabalho.



Escrito por Marcos Thadeu às 17h53
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Daqueles que perdem o controle (da história)

É fato para ninguém que bebida e mentira, em grande parte das vezes, não combinam. Repare bem nas últimas coisas que você revelou – a quem quer que seja – e, posso apostar meu pâncreas, que em muitas delas o efeito do álcool foi o grande impulsionador, para não dizer, o grande responsável.

 

Haja visto aqueles que teimam em contar histórias mirabolantes, daquelas quem nem o Scorsese pensaria. Como se fantasiar com a própria vida – e em muitos casos com a vida alheia – fosse das tarefas mais fáceis e, também, das tarefas mais íntegras. Quer queira, quer não, a bosta sempre respinga em todos, quando não nos encharca por completo, nos atolando em um poço só com a cabeça pra fora.

 

Impressionante é o fato de que os fantasiadores sempre acreditam que têm o controle total e absoluto das mirabolantes e – até certo ponto – absurdas histórias. Sabe, eu já me envolvi em muitas. Muitas das quais eu realmente tinha como propósito apenas confirmar uma tese. Mas, como o formulador da epopéia perde o controle, a tese é sempre afundada em argumentos sobrepostos tão facilmente que eu, apenas mais um, acabo entrando de gaiato.

 

Simples, talvez, seria falar: “Ah, você que se vire com sua história, cara. Você inventou, então você arque com as conseqüências”. Mas sabemos que nessas horas é difícil dizer aquela simples palavra de três letras e um acento que nasala a vogal A: “não”. E, por mais que sejamos escaldados, e somos, a história se repete.

 

Estou cansado. Cansado de estar em muitos casos, em casos que não são meus. Cansado de, em muitos casos, ter sobre mim uma culpa que não me diz respeito. Cansado de ouvir lamentos, de ouvir esperneios, de ouvir histórias mirabolantes.

 

E, com dito acima, mesmo cansado, não acredito que a situação mude. A palavra “não” dificilmente, nesses casos, faz parte do meu vocabulário. Não consigo deixar de “tentar” aliviar a culpa dos imensamente culpados. Mas, com isso, espero que haja mudança, e que a consciência o faça refletir que bebida e mentira não combinam. Não com você. Você que é muito sincero e fala as coisas, muitas vezes, sem pensar.



Escrito por Marcos Thadeu às 12h48
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