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Brasil, o país do vôlei
Está mais do que provado que brasileiro gosta mesmo é de vôlei. Parece loucura esse pseudo-escritor falar isso no dito “País do Futebol”, mas é a mais pura e lógica verdade. Hoje – digo pelo menos há sete anos, mais ou menos – o Brasil torce mesmo para o Brasil que saca e bloqueia. O Brasil torce para quem realmente joga pelo Brasil.
O vôlei hoje é, sem dúvida, a paixão do brasileiro. Brasileiro que enche os ginásios para ver a seleção jogar. Brasileiros que vibram a cada ponto, a cada ace. Brasileiras que gritam pelo Giba, pelo Murilo, pelo André Heller e pelo Giba mais do que nunca. Brasileiros que aprenderam a ver vôlei como esporte vencedor. Brasileiros que na sua maioria não faz a mínima idéia por que o líbero não pode saltar dentro da linha dos três metros, ou qual é a posição de “oposto”, ou pra que serve a antena na rede.
Brasileiros gostam do time que há sete anos ganha tudo. Mas, mais importante do que gostar apenas do time, em si, é gostar, também, dos jogadores. Se gritos histéricos vindos da arquibancada são apenas por conta da “boa forma” do Giba, que assim seja a torcida. Se os gritos são pelas extravagâncias ríspidas e inelegíveis do Bernardinho à beira da quadra ou se são pelas “capotagens” e grandes defesas do Serginho, que a torcida permaneça assim, sempre à frente da seleção.
Diferentemente do futebol – e aqui sem comparação alguma – o vôlei é o esporte que mais bem representa o Brasil. E não é porque eles estão ganhando tudo nos últimos anos. Não é porque formam o melhor elenco. Não é porque tem o Giba. Não é porque estão ainda na briga pela medalha de ouro na Olimpíada*. É porque, muito mais do que o futebol, quando o vôlei perde, perde de cabeça erguida, perde de pé.
Sei que a seleção de vôlei não tem a derrota como companheira. Mas, a última que teve na Liga Mundial ou a do Pan-americano de Santo Domingo, fizeram com que a seleção se fortalecesse ainda mais. O vôlei é, hoje, a grande diversão esportiva do brasileiro. Ninguém, depois de assistir a um jogo da seleção, vai ao bar e discute sobre a partida. Ninguém diz: “o juiz marcou aquele toque na rede do Gustavo que desestabilizou a seleção no segundo set”. Não, o jogo acaba e eles felizes ou conformados com uma possível derrota seguem a vida.
Como isso não acontece com o futebol, a histeria é grande e a diminuição da torcida em relação à seleção de futebol, também. Talvez a imagem do Ronaldo Fenômeno ao final da partida contra a França, na Copa do Mundo, cabisbaixo, é o puro retrato da negligência patriótica que se abateu sobre o futebol brasileiro nos últimos anos.
Saem das competições – mesmo a Copa do Mundo – como se perdessem apenas “mais uma competição”. Cacete! “Mais uma competição? Porra, eles perderam A competição”. Saem dos torneios prontos para traçar aquela loira fenomenal do comercial de cerveja nua no quarto do hotel – tá, qualquer um também faria o mesmo. Mas será que eles não podem, ao menos, fazer o que foram designados e depois se aventurar nas curvas estonteantes de tais loiras, morenas e/ou ruivas?
Sei que ganhar ou perder faz parte de qualquer esporte. Como diria o sábio (sic!) Galvão Bueno: “depois da derrota, o segundo pior resultado é o empate”. Por que será que as TVs não desistem logo dos jogos da seleção e passam a dedicar mais espaço às seleções e times de vôlei? Hoje, com muitos dos jogadores da seleção em final de carreira internacional, eles voltarão ao Brasil, sendo um dos grandes atrativos da Superliga.
E não me venham dizer que a culpa é apenas do Dunga, hein?
*esse texto será atualizado, caso o autor se lembre, após o término do torneio de vôlei masculino das Olimpíadas de Pequim.
Escrito por Marcos Thadeu às 14h33
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Àqueles que gastam dinheiro à toa (ou não)
É notavelmente trágico – e, por hora, infinitamente prazeroso – que muitas pessoas não têm controle sobre suas finanças. A cada começo de mês, o sorriso toma conta da face com a poupança recheada (sem trocadilhos, por favor). O dia cinco é o mais aguardado do mês. Mas, para muitos, o dia seis é realmente o inferno. Inferno por ter gasto tudo em uma noite – que foi boa, por sinal – ou por saber que, por conta de extravagâncias do mês anterior, você terá de arcar com a maldita fatura do cartão de crédito ou a conta do celular.
Mas o que pouca gente sabe é que o descontrole financeiro é diferente de pessoa para pessoa, mesmo que, no final das contas (sic!), o resultado seja sempre o mesmo. Zero real, melhor R$ 2,65 só para não entrar no negativo. Uns dizem: ainda bem que acabaram com a CPMF e aqueles reais da minha conta que o governo embolsava e dizia “ir para a saúde”. Obviamente que a saúde do bolso e da conta bancária de quem desgraçadamente se descontrolou é infinitamente melhor da de quem precisa de serviço público hospitalar.
Voltando ao descontrole e aos tipos de descontrolados, conheço aqueles que, como eu, não gastam tudo em pouco tempo, mas gastam tudo em poucos dias espaçados. Finais de semana, festas de aniversário, saídas esporádicas e, por vezes, que não estavam no planejamento ou na condição do dia em que ocorreram. Essas, garanto, são as piores. Oito ou nove horas de diversão que, no fim das contas, custam muito, muito mesmo. E não é porque o lugar é caro, daqueles que sua condição de classe média não consegue pagar, e, sim, por conta de você descontrolado financeiramente aumenta essa equação e, por vezes, descontrola-se etilicamente.
Malditos, glup!, digo benditos lugares que com suas cervejas importadas, seus whiskies puros e de fino malte e suas cachaças alambicadas com maestria e prudente eficiência nos tornam felizes e financeiramente obsoletos para o resto do mês. Uns pensam, positivamente, no dia 15 do mês: “bem, estou com R$ 150,00 na conta, mas daqui a três semanas eu recebo de novo (reparem que ninguém diz: daqui a 20 dias eu recebo, pois, cá entre nós, soa mais desesperador)”.
Têm aqueles que seguem à risca os preceitos elementares dos descontrolados financeiramente e se sentem, por dois ou três dias, os caras mais ricos da cidade. Chega o dia cinco e no dia sete a conta está com aqueles centavos anti-negatividade monetária. Esses, claro, sentem prazer incomensurável e notadamente têm fluências incompatíveis com outras pessoas. Saem à caça de diversão que faça parte de sua condição financeira. Geralmente, é bem verdade, encontram um ponto de equilíbrio (se é que podemos falar em equilíbrio em um texto desses) onde se tornem senhores do dia.
Gastam a rodo, tomam e comem (às vezes não apenas alimentos) do bom e do melhor. Tornam-se conhecidos e, por vezes, admirados, por quem está presente. Mas, digo, para que isso de fato realmente aconteça, o local tem que ser bem escolhido e o gasto com o dinheiro bem planejado – sim, estou falando de planejamento em um texto desses. Pensem comigo: imaginemos uma pessoa que ganhe R$ 600,00 (vai, diz aí quem veio à cabeça, hein?).
Voltando. Se ela ganha lá seus R$600,00 por mês e resolve, sem mais nem menos, gastar tudo em um dia (tá, as pistas estão muito claras.). Fico imaginado “essa pessoa”, com dinheiro em uma grande balada da cidade de São Paulo, geralmente no Itaim, na Vila Olímpia ou nos Jardins. Ele, que se sente grandioso (sic!) por se considerar a pessoa mais rica da cidade em dois dias, ficará, nesse caso, estarrecido por descobrir que, nesses lugares, no máximo, pode ser o mais rico por aproximadamente 60 minutos, quando não menos.
Lá com seus R$ 80,00 para entrar. Com R$ 50,00 de couvert artístico, tornando-se despesas fixas. Dentro, óbvio, beberrão como de costume, ataca cervejas e mais cervejas. Se cotarmos R$ 15,00 cada e que ele tome cinco nos primeiros 20 minutos dentro do recinto, só com isso chegaremos à marca de R$ 205, ou seja, um terço do salário em 20 minutos.
Continuando a saga, ele chega na hora dos “quentes”. Resolve pedir um whisky, que mesmo sendo um Red Label, custa R$ 30,00 a dose. Puro e aromaticamente refrescante, resolve pedir “mais unzinho”. Nesse momento, com meia hora dentro da balada, já está R$ 265,00 mais pobre. Nos próximos 20 minutos, toma novamente cerveja, e mais sete Skols a R$ 15,00. Depois de uma hora lá dentro, aproximadamente, o rombo financeiro é de R$ 370,00. Para fechar a noite, pede outra dose de whisky e completa os R$ 400,00.
Chega na hora de pagar, vai até o caixa e, sentindo-se a pessoa mais superior do mundo, diz: “no débito, por favor”. Saca aquele cartão de crédito do Itaú, cinza ou do Bradesco vermelho, geralmente ainda sem chip, causa estranheza na responsável pelo caixa. Ao seu lado, com seu American Express, aquela garota que você olhou a noite inteira e não te deu bola paga a conta delas e das amigas. “Pode ser no crédito”, ela diz. Você, ao ouvir o pedido, enche-se de orgulho e tenta conversar.
Nesse meio tempo ela assina a notinha, você, de rabo de olho, percebe o valor e, espantado com o valor de R$ 1.500,00, não e sente dó da “pobrezinha”. Resolve que tem de segui-la até a porta. Pensou que poderia, quem sabe em um raro momento de sorte na noite, rachar um táxi com ela e sair desse antro da pujança e da gastança. Ela, surpreendendo-lhe, pergunta a você o que achou do lugar. Você, bravo pelo quanto gastou, mas encantado pela garota, apenas diz que “gostou”.
Depois de meia hora de conversa, descobre-se que ela é freqüentadora assídua do lugar, mas agora ela precisa ir embora com as amigas, já que o manobrista do estacionamento a R$ 30,00 entregou-lhe as chaves da sua picape Hilux zero quilômetro.
Escrito por Marcos Thadeu às 15h07
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