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Invenções geniais (?)
Quem nunca sonhou em ter uma máquina do tempo? Viajar pelo passado, conhecer a fundo a história que encontramos apenas em livros, fitas e na memória dos mais antigos. Imagine poder passar, nem que sejam cinco minutos, na era dos dinossauros. Ou, quem sabe, usufruir de todo o glamour, requinte e sofisticação da realeza francesa do século XVIII. Ou, ainda, passar pela época da ditadura militar e freqüentar o berço da Música Popular Brasileira e conviver, mesmo que por poucos dias, com Chico Buarque, Caetano Veloso, Os Mutantes, Gilberto Gil e por aí vai.
Inúmeras são as possibilidades se tivéssemos uma máquina do tempo, não? Pois é. Qualquer pessoa teria um tipo diferente de sensação ou de época que adoraria voltar. Às vezes, acompanhar um pouco da infância do pai, no interior, aproveitar aquela chance perdida na infância com uma menina que há tempos você estava de olho, ou ter novamente a oportunidade de marcar aquele gol que você perdeu em baixo das traves no campeonato da quinta-série.
Ou seja, se você tivesse uma máquina do tempo estaria habilitado a mudar o presente e, mais tardar, o futuro. Mas para quê? Com qual intenção? Por qual motivo? Não vejo, nesses casos, real motivo ou uma necessidade abissal de mudar o que já tem seu plano correto. No meu caso, mais especificamente, gostaria apenas de voltar ao passado para corrigir algumas injustiças que, hoje, no futuro – ou no presente – nos atormentam.
Gostaria de voltar ao passado e, literalmente, modificar a história de certas invenções. Não, não quero aqui me reter à história de Santos Dumont ou dos Irmãos Wright. Não iria, em tese, voltar muito no tempo e desmoralizar o inventor do revólver ou o descobridor da pólvora, na China de muitos séculos atrás. Iria, nesse caso, não tão mais a fundo. Iria desmoralizar o inventor das seguintes invenções:
Dosador de bebida: aquele objeto redondo de metal, geralmente, é o grande terror de bebedores ou apreciadores de iguarias alcoólicas; cada vez que temos que pedir algo em um estabelecimento comercial, é sempre aquela tortura. Uísque, vodca, ou qualquer outra fina bebida. É catastrófico quando o garçom ou o barman vem com aquela pequena inutilidade humana. Mesmo que tentemos argumentar, algo como “sirva com todo amor no coração”, “capricha aí, chefe”, em grande parte dos casos não somos atendidos. Muito em parte por conta do senhorio acima, que não raro está sempre às voltas para observar qualquer movimentação estranha.
Dosador na garrafa de uísque: outra grande e insuportável invenção do homem que prejudica e muito a vida dos apreciadores do líquido sagrado. Tal qual o item acima, o dosador serve para limitar a felicidade alheia. Mas o que não consigo entender, nesse caso, é o fato de, ao adquirir uma garrafa no supermercado, o dosador estar lá. Se pagamos pela garrafa inteira e não vamos consumir nas controladas e insuportáveis “doses”, por que raios não temos o direito de ter um gargalo livre, para que o líquido escorra suave e deliciosamente bem? É importante observar que, quanto mais caro for o uísque, não há o dosador, ou seja, o dosador, nesse caso, torna-se num claro objeto preconceituoso e, claramente oferta a abastados financeiramente a condição de não estar no mesmo nível dos demais e reles seres humanos.
Cartão de débito: é bem verdade que ele sempre nos salva em muitas situações quando abrimos a carteira e nos deparamos apenas com o documento de identidade e várias outras notinhas do mesmo cartão. Porém, quem inventou o sistema de débito tinha claramente a intenção de causar, em muitas pessoas, rombos financeiros astronômicos, para não dizer falência mensal ou, até mesmo, falência bancária. É mister observar, nesse caso, que a incompetência com essa invenção se deve mais ao proprietário do cartão. Mas, na verdade, o cartão de débito é uma das maiores armadilhas da vida moderna. De dez em dez (olha o trocadilho, hein?), quando nos damos por conta, estamos no saldo negativo. E todo mês é sempre a mesma história.
Alça de silicone no sutiã: está aí uma invenção totalmente prejudicial aos homens. Há tempos, quando foi inventado lá pela década de sessenta (se a memória não falha), o sutiã sempre foi uma peça presente no imaginário masculino (eu disse no imaginário, apenas). Não raro, sempre presente em uma concepção, apenas: o de tirar o sutiã da mulher presente à cama. De uns anos para cá, com a chamada liberalização estética, sexual e outras milhões afins, a mulher, sempre que saía com uma roupa mais decotada, com as costas nuas ou com design diferentes, optavam por deixar a peça do vestuário em casa, ou seja, não usavam o sutiã por conta de não se sentirem bem com a peça à mostra – o que tornava a vida dos homens e dos vouyers muito mais fácil. Porém, com o advindo do silicone na confecção de roupas, esse “esquecimento” por parte das mulheres já não mais existe, pois, por ser transparente, elas não mais se incomodam e, quase sempre, trajam o sutiã com a alça de silicone – o que torna a vida de homens e vouyers muito mais complicada.
Escrito por Marcos Thadeu às 12h43
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