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ilustre (des)conhecido


Nocaute

No 11º assalto dessa luta, você está acabado. Não consegue se mexer. Os músculos doem, as pernas não sustentam o peso do corpo e você quer que o último golpe seja logo desferido para acabar com o longo sofrimento. Mas ao invés disso, o adversário, infinitamente mais forte que você, insiste em fazê-lo sofrer ainda mais.

 

Nessa luta, não há juízes, nem contagem de pontos. Raramente, é verdade, há possibilidade de vitória. Nessa luta, o importante é se manter de pé, é se manter vivo. Não importa qual a sua estratégia de luta, qual a sua técnica, qual o seu melhor golpe, o adversário sempre antecipará às suas ações, dando-lhe um contra-golpe ainda mais cruel, mas doído, mais forte.

 

O pior dessa luta, no entanto, é que o adversário é conhecido de todos. E, provavelmente, a luta de agora não é a primeira que você enfrenta e não será a última. Será apenas mais uma na longa caminhada da vida.

 

O desafio contra os principais sentimentos pessimistas que podemos expressar são muitas vezes lutas entre David e Golias, porém a exemplo da velha história, nós somos facilmente nocauteados pelo gigante indestrutível. O sentimento negativista não se destrói, apenas deixa de se manifestar, momentaneamente.

 

E, infelizmente, essa luta será sempre assim, sempre com você em desvantagem, com você sempre à mercê do adversário, com você esperando o “golpe final”, isso, claro, até que as coisas tomem o seu devido lugar, ou que você, diante da iminente derrota, aprenda a tirar lições positivas de todas a situação. Nesses casos, você terá que escolher.



Escrito por Marcos Thadeu às 16h27
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Quando a bebida desce errada

            Uma noite de sexta-feira. Ele se arruma, pega o carro e sai. Já tinha compromisso marcado há tempos. Aniversário de colega da faculdade. Apenas mais uma oportunidade de reencontrar os amigos e beber ainda mais cervejas. Àquela altura dos acontecimentos, ele apenas diz: “tenho um bom pressentimento sobre essa noite, não sei o porquê”, mal sabe ele. Mal desconfia que o improvável acontecerá. 

            Nada de anormal no começo da noite. Encontra amigos de sempre. Conversas, cervejas, pingas do barril, pizzas. Em casa, nova camisa, pepsamar, recados à mãe e precauções vindas do pai. Na academia, uma conversa com dois amigos e bye!. 

            Parte, com um de seus amigos da noite, para a casa de outro colega. Avenida movimentada, tráfego de pessoas e carros a toda hora. Depois de um tempo, o outro amigo aparece, completamente transtornado, raivoso para dizer a verdade. Eis que a coincidência dá as caras. Seu amigo, da avenida movimentada, avisa para o dono do carro que um de seus amigos estará no mesmo lugar, comemorando o aniversário da irmã. 

            A coincidência? Justamente a irmã do amigo é ex-namorada do dono do carro. E sabemos o que sempre acontece quando há encontros com ex-namoradas. Mesmo diante dessa informação, o dono do carro não arredou pé e foi até o local da festa. Um lugar que nunca havia ouvido falar. Um lugar que tocava um tal de samba-rock seja lá o que isso seja. 

            Lá foram. Depois de empecilhos na entrada, ele a encontra. Aparentemente frio, a cumprimenta por educação. Não trocam além de duas ou três palavras. Parece que ambos sabiam que, além disso, o risco de briga seria iminente e, para não “estragar” a noite, resolveram apenas nos olás. 

             Depois disso, pelo que lembram os personagens da história, rolou muita, mas muita catuaba, sambas-rocks, fotografias, gritos de mambo, tentativas frustradas de filmar duas amigas sambando juntas, selinho entre amigas e, claro, catuaba, a ponto de a atendente dizer, antes de um deles pedir: “mais uma catuaba?”. E fim de papo.

 

                PS: Ao acordar na manhã seguinte, a constatação diante de uma ressaca jamais sentida: “nunca mais beberemos catuaba. Será?”.

Escrito por Marcos Thadeu às 20h55
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