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Enfim, o fim?

O crepúsculo acadêmico se aproxima. Jaz uma sensação incomum de final. Não a mesma de outros tempos, posso dizer. Não a mesma de outros ciclos da vida. Essa é, infinitamente, mais doída, mas dolorida, mais triste. Foram quatro anos (sei que em um futuro longínquo algum de nós poderá dizer: “foram apenas quatro anos”), quatro intensos anos. Que marcaram e marcarão para sempre a vida de todos.

Inimaginável há meses, o final se aproximou tão rápido. Em um piscar de olhos, tudo que era rotina vai ser mudada. O diário tornar-se-á, com muita dedicação, apenas encontros esporádicos na semana. Encontros que, vezes ou outra, não se consumarão. Daí o medo da separação por completo.

E a vida, caros, nobres e leais amigos, é cruel. Alguns ainda continuarão na rotina. Outros, por obra de um acaso meticuloso, terão poucos dias de uma rotina dura de quatro anos. Quatro longos anos marcados por tudo. Marcado, principalmente, pela amizade verdadeira entre pessoas que possuem vasta quantidade de afinidades em comum e “zilhões” de características diferentes. Mas tudo, ainda não se sabe como, convergiu para o bem comum, para algo maior do que eles mesmos imaginavam: a amizade única, verdadeira. Não apenas mera inquietação de mesa de bar. Não apenas meras formalidades e coleguismos de sala-de-aula.

O crepúsculo acadêmico se aproxima. Três deles podem não ter mais a mesma rotina que os demais. Dois, ainda estarão por lá. Um não sabe se continuará a freqüentar o bairro tipicamente italiano da Mooca. Outro, esse sim, ainda manterá a rotina da mesma forma. Espero, mesmo, que o fim não seja, exatamente, o fim. Que o começo não seja exatamente uma nova partida. Espero que tudo continue como está, e que a vida – que apesar de ser cruel para os fracos de sentimentos ou para os fracos de decisão – torne as coisas mais fáceis. Espero que a vida siga da mesma maneira, e que as pessoas que nela estão, também. O fim? Não, apenas uma mudança. Para melhor ou pior? Ainda não sabemos. A vida se encarregará de dar essas respostas.

Escrito por Marcos Thadeu às 11h02
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Vazio

Fazia tempo que ele não aparecia por aqui. Que as idéias não vinham. Que a imaginação não rendesse uma boa história. Muitos até o paravam para comentar. Muitos pediam para que ele voltasse, mas parece que a sina dele continua. Ele tinha vontade de escrever sobre tudo. Tinha muitas idéias em mente, mas não conseguia organizá-las de maneira a parecer algo que rendesse uma boa história ou, pelo menos, um bom texto.

Ele poderia falar das brigas que teve, dos amores perdidos, dos amores correspondidos, das cervejas tomadas, dos cigarros acesos, das mulheres com quem esteve, dos momentos felizes que passou. Mas não conseguia nada que lhe rendesse uma boa história.

Com os milhões de fatos, simplesmente decidiu guardar no imenso vazio de seu pensamento mais profundo, de sua memória mais aguda. Deixou de lado a humildade e guardou para si tudo o que havia vivido nesses quase trinta anos de vida – sim, apenas bons trinta anos. E lá se foi. Sem que as idéias se organizassem, sem que a genialidade lhe rendesse frutos para uma boa história.



Escrito por Marcos Thadeu às 16h30
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