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ilustre (des)conhecido


página virada. fase apagada com borracha

ele disse que você é linda. que você se veste bem, que seu cachecol é bonito, que seu sorriso é belo e que seu cabelo é bem arrumado. ele disse que o papo entre vocês é bom, que a conversa agrada e que o jeito de você beber lhe abrilhanta os olhos. ele disse que queria conhecer mais do mundo em que você vive, que queria conhecer mais das bandas que você gosta, mas da vida que você leva. ele disse que depois de uma conversa conhecia-a realmente. ele disse que alguns segredos foram revelados e algumas verdades expostas. ele disse, também, que se rolar rolou, mas sem pressa, pois ele disse que teria paciência de esperar. ele disse que precisa dizer tudo isso a você, mas ele disse que não sabe quando(...)enquanto ele não toma coragem para dizer tudo a você, ele só fica dizendo que você é linda, que você se veste bem, que seu cachecol é bonito, que seu sorriso é belo e que seu cabelo é bem arrumado.



Escrito por Marcos Thadeu às 14h18
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Livros de história

Perambulou pelos corredores de sua casa até o quarto. Em cima da escrivaninha os livros de história geral e do Brasil. Folheou-os para estudar para a prova. Era a última chance do ano. Era tudo ou nada. Começou. Primeiro tentou decorar todos os governadores das Capitanias Hereditárias e o motivo do Tratado de Tordesilhas. Dado momento, parou. Voltou a pensar nela. Não tinha concentração para mais nada. Lembrou dos momentos alegres, e dos tristes também. Não fazia o menor sentido continuar estudando. Flutuou nos pensamentos fundos e tristes, pensou no desenrolar dos fatos. Na vida que perdera ao lado dela. Ela que tinha sido a primeira. A primeira de tudo. Ele, do alto de seus 16 anos, já sofria por amor. Já sofria por perder alguém. Pensou e chorou. Sua mãe, sem entender nada, apenas lhe diz:

 

-          Calma meu filho, você conseguirá passar de ano.

 

Ele, agora mais conformado com a situação, depois de uns grandes goles de água, as lágrimas enxugadas e a respiração normalizada, toma o livro entre as mãos e decide voltar aos estudos. Em meio às páginas e lembranças dela, se pergunta:

 

-          Mas quem foi Mem de Sá? Por que ela me deixou? Quantas eram as Capitanias Hereditárias? Será que não fui tão bom assim para ela?

 

Na manhã seguinte o relógio desperta às seis horas da manhã. Ao levantar, lavar o rosto, tomar café e se aprontar para a escola, apenas diz:

 

-          Ainda não compreendo nada. Nem Mem de Sá nem por que ela me deixou.

 

Chegou ao colégio e deparou-se com ela na cadeira à frente. No momento da prova, a terceira pergunta: Quem era Mem de Sá?. Pôs-se a chorar no meio da aula. O professor estarrecido com a situação apenas acode o aluno aos prantos. Chegara em casa:

 

-          Como foi a prova, filho?

-          Não fiz, mãe

-          Por quê?

-          Sei lá. Não estava num bom dia.

 

Três semanas depois, na prova substitutiva, ele já esquecera da menina. Ela, por sua vez, também esquecera dele. Os dois, mesmo na mesma sala, na mesma prova, estavam em paz. Agora só restava a prova. E ele estava em paz, tanto que a questão “quem foi Mem de Sá?” estava lá. Ele, ao invés de chorar, pegou a caneta e respondeu: “Foi o terceiro Governador-geral do País. Seu maior feito foi ter expulsado os franceses do Rio de Janeiro.” Entregou a prova. Dois dias depois, o resultado. Havia conquistado o objetivo e partira para mais um ano de escola. Mesmo ao lado dela.



Escrito por Marcos Thadeu às 11h55
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O mundo reduzido (e maravilhoso) das siglas

Já reparou que para quase tudo há uma sigla? Seja ela originária de pura abreviação simples ou que foi criada por conceitos e preguiça de quem escreve. Percebe-se, no entanto, que elas são, em tese, realmente úteis. Jornalisticamente servem para não repetir as mesmas palavras. E isso é altamente empregado, mas tem que saber usar. Veja a frase e veja se você conseguirá decifrar o que está escrito (sem ler a reposta antes, claro!)

 

O BC do Brasil entregou ao Fed a autorização da OMC e da ONU para receber o empréstimo do FMI e do BNDES, que serão empregados em infra-estrutura da CDHU.*

 

*Resposta: O Banco Central (BC) do Brasil entregou ao Federal Reserve [(Fed) Banco Central americano] a autorização da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização das Nações Unidas (ONU) para receber o empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que serão empregados em infra-estrutura da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).

 

Reparou a diferença? Pois é, ainda bem que existem as benditas siglas.  



Escrito por Marcos Thadeu às 21h26
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Levou até a sacada do apartamento e atirou para baixo. Não se conteve, atirou. Sentiu-se feliz pelo que havia feito. Libertou-se das pressões. Livrou-se dos impedimentos. Distanciou-se das emoções. Saiu da mesmice. Mas quando pensou que tudo estaria feito, toca o interfone. O porteiro, furioso, diz. “por um acaso esse CD do Wando é seu, senhor Getúlio?”. Sem graça, muito por ser um CD do Wando, responde. “Não, Osmar, não é meu”. No fim, viu que não conseguiu livrar-se daquilo que mais raiva possuía no casamento de 32 anos. Sua esposa Gilvânia, dona do CD, o pega na portaria, com Osmar. E, antes mesmo dela entrar em casa, já cantarolava: “Você é luz, é raio estrela e luar, manhã de sol, meu iaiá, meu ioiô / Você é sim, e nunca meu não, e quando tão louca me beija na boca me ama no chão.”

Escrito por Marcos Thadeu às 09h26
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