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ilustre (des)conhecido


Quando nada dá certo

No dia anterior ele prometeu levantar mais cedo. Cinco minutos que fossem. Para não chegar atrasado (mais uma vez) ao trabalho. Prometeu, mas não cumpriu.

Na manhã seguinte, a mesma correria. O relógio desperta desde as 6horas mas ele só se levanta às 6h40min. Levanta da cama direto para o chuveiro. Também havia pensado que se acordasse tarde, ficaria menos tempo no banho. Doce ilusão.

Era uma manhã fria de inverno, daquelas em que não dá vontade de sair debaixo das cobertas. O edredom esquenta até as orelhas que estão descobertas. Mas não teve jeito, teve que levantar. Vai ao banheiro e liga o chuveiro, ainda com a roupa no corpo. Aquecimento a gás evapora todo o lugar. Menos mal, pelo menos aqui é quente.

Despe-se e entra no box. A água quente lhe traz o mesmo conforto que o edredom da cama. E lá fica. Cinco, dez, quinze, vinte minutos. Queria ter terminado mais cedo, mas, simplesmente, não conseguiu. Volta ao quarto apenas com a toalha enrolada em volta da cintura roliça. Abre o guarda-roupa e pega o que de mais quente tem para vestir. Despede-se se sai.

Na fria manhã de inverno, às 7 horas, ele começa a percorrer o caminho habitual de todas as manhãs. O frio cortante bate-lhe nos lábios até racha-los. A cabeça, ainda úmida por causa do banho, fica ainda mais gelada. As mãos, trêmulas, indicam a gravidade do frio.

E chega ao metrô. Com 15 minutos a mais do que deveria estar lá. Mas não se incomoda, pois o metrô é rápido. Espera os melhores trens, os mais vazios. Estes não vêm, então decide arriscar-se em um vagão lotado.

Ainda com frio, percebe a brecha e entra. O calor da multidão dá um choque térmico, que apesar de incômodo, tornou-se confortante. Sai de um trem rumo a outro. Nesse a multidão já se aglomerava antes mesmo do trem chegar. Espera e entra. No caminho, o trem pára de estação em estação mais do que o planejado. Começa a olhar desesperadamente no relógio. Enfim, chega à estação de decida, mas não na última. Salta para outro trem.

Lá, também é surpreendido com o intenso calor. Mas, a essa altura, já estava suando desenfreadamente, já que estava com uns bons quilos a mais de roupas. Chega ao destino 35 minutos atrasado.

Ao sair da estação, o choque térmico. Inverso ao primeiro, o segundo é mais perverso. Mais terrível. Andou por ruas estreitas, de maneira rápida, para não perder tempo, sem sucesso. Quando chegou lá, já tinha gente esperando. Sentou-se na cadeira. E, antes de começar a trabalhar, dá o primeiro (de muitos) espirros que daria naquele dia.

Escrito por Marcos Thadeu às 13h43
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Quando sonhamos o absurdo dos absurdos

Ferna, Nívea, Vitão e eu lutando kickboxe?* Isso não faz o menor dos sentidos. Talvez faça para quem imaginou. Talvez. Mas, pensando bem (e quem imaginou), acho que também não faz sentido algum.

 

Já repararam como sonhos são assim? Sem interpretação. Está certo que existem os tais manuais que tentam decifrar. Tentam, mas não conseguem, eu acho. Dizem que se sonhamos com cachorro é porque esperamos alguma amizade. Sonhar com a própria morte pode significar que você conseguirá libertar-se de suas preocupações e blá, blá, blá, blá...

 

Mas e quando sonhamos com amigos lutando kickboxe? O que quer dizer? Bom, para bom entendedor de sonhos (charlatões, na minha opinião), não quer dizer nada, mas para nosso conforto, e nossos reais, eles inventarão uma história e blá, blá, blá...

 

Uma história provavelmente absurda, coisa parecida com videntes e ciganos, talvez. Coisas que não tem nenhum sentido. Aliás, sonhos não têm sentido, a não ser a relação por trás dele. Se sonhares com algo, provavelmente é algo que você já queria.

 

O legal é ler guias que tentam interpretar os sonhos. Dizem cada besteira, cada asneira sem tamanho, que acaba tornando-se um passatempo rir de tais palavras. E o pior, a exemplo de livros de auto-ajuda, tem gente que ganha muito dinheiro com isso.

 

Tentarei, da próxima vez, interpretar o que significa sonhar com três pizzas de mussarela, um tiranossauro rex, a Juliana Paes nua na minha frente, o Chapolin Colorado e o Steven Seagal. Quem tiver alguma sugestão do que isso quer dizer, me ajude.

 

*Segundo a fonte de que me passou o relato do sonho, Vitão, eu e ele desistimos do kickboxe e fomos jogar bola. Devemos ter terminado o sonho em algum boteco falando do Palmeiras e tomando cerveja (isso pode ser inventado).



Escrito por Marcos Thadeu às 10h57
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Vida louca!

Achei que sábado iria explodir

De tanto beber

De tanto cair

 

Até me pus a cantar

Mas pelo estado em que estava

Vi que na sincronia não dava

 

Saí à noite sem rumo

Para um lugar no meio do mundo

 

O show que jamais esquecerei

Pois lembrarei de tudo

Principalmente do sono profundo

 

Domingo foi difícil acordar

Só acordei com o Galvão a gritar

 

O domingo foi de recuperação

Segunda-feita tinha que trabalhar

Mas eu mal posso esperar

Essa semana passar

E o fim de semana chegar

Escrito por Marcos Thadeu às 09h53
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O dia de hoje

- Que dia é hoje? Perguntou a mulher ao marido que estava na cama.

- Não sei, mas acho que é quarta-feira. Respondeu o marido ao mesmo tempo em que bocejava. 

 

Foi a gota d’água. Ela pegou seus pertences mais importantes. Retratos, roupas, jóias, o gato, o passarinho e foi para a casa da mãe. Sem entender nada, o marido se limitou a voltar à cama. Ela, agora aos prantos, decidiu: “É o fim, não tem mais volta.” E bateu a porta com tamanha violência que acordara os vizinhos. Ele, agora acordado pelo barulho da porta, sem esboçar reação, apenas olha, ao fundo, o retrato da esposa.

Dois dias depois ele ainda não havia falado com ela. Ela não tinha ligado. Ele soube, através de uma amiga em comum, que a esposa ainda estava magoada. Mas não esboçou reação. Voltou à rotina. Leu jornais de manhã, mas sem a mesa do café estar posta. Tomou café de pé, em frente à geladeira. A casa, agora, estava de pernas para o ar. Foi aí que sentiu a falta. Não pura e simplesmente pelo fato dela arrumar tudo, deixar tudo do jeito que ele sempre gostou, mas pelo fato de que ela, ao contrário do que poderia imaginar, fazia uma grande falta para o ambiente da casa.

Chegava do trabalho. Sem mais a comida balanceada que a esposa sempre fez questão de preparar, vivia à base de pizzas, esfihas e afins. Como conseqüência, engordou cerca de dez quilos. O lado bom, pelo menos, é que ele, agora, poderia tomar sua cervejinha tranqüilamente, pelos dias da semana, fato que a esposa detestava e o repreendia. Mas, depois de quase quatro meses assim, lhe bateu o sentimento. Pensou em conversar com ela.

Ligou para a casa da sogra, mas ela não estava. Havia saído. Sentiu raiva. Achava que ela estava tendo um caso com outro homem. Que, agora, estava feliz, que estava a vivenciar experiências com ele jamais vividas. Desligou o telefone e, à primeira vista, viu o vaso preferido dela. Não teve dúvidas, tacou-o na parede, sem dó. Quando foi recolher os estilhaços, observou um pacote de presente e um cartão que dizia: “parabéns a nós, pelos 12 anos de casamento”. Abriu e, como por um milagre, viu que lá continha as alianças do casamento que a esposa mandara reformar. Foi aí que entendeu tudo, mas, mesmo assim, não esboçou nenhuma reação. Colocou as alianças em cima da mesa e recolheu os estilhaços. Foi até a cozinha, jogou fora os cacos do vaso, abriu a geladeira e tomou mais uma cerveja.



Escrito por Marcos Thadeu às 10h51
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