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ilustre (des)conhecido


Copa (não é) pela Internet

01 min – O árbitro apita. Começa a partida

 

O maior evento do mundo esportivo está ocorrendo e estou trabalhando. É...isso é vida. A Copa do Mundo no auge da definição e eu em frente a um computador, entre problemas e mais problemas. Tento, pelo menos, de qualquer forma que seja, estar informado. Estar antenado no que ocorre no país da Copa. Que não raro, é bem longe daqui.

Acesso sites em tempo real e acompanho os jogos. Mesmo Arábia Saudita x Tunísia, não importa, é Copa do Mundo. A primeira sensação é de incerteza. Será que o que ocorre lá na Alemanha é isso mesmo que tentam passar em poucas linhas? É uma dúvida.

Chego em casa ou ao bar – que possui telão – para ver os gols. Apenas os gols. Lembro-me da última Copa: eu a colocar o relógio para despertar às três horas da manhã para assistir Argentina x Nigéria, pela primeira rodada. E hoje, o despertador me acorda para o trabalho.

O tempo do jogo passa e as frases são colocadas, a página é atualizada. Percebo, sem muito esforço, a animação de quem escreve. Pela animação podemos ter uma sensação de como está o jogo e para quem o operador está a torcer. Geralmente, sempre para o país de maior tradição, ou que, momentaneamente, apresenta o futebol mais vistoso.

As frases curtas mostram apenas o “essencial” (entre aspas, pois é o essencial para ‘eles’). Não mostra o jogo em si. “Fatiam” a partida para termos menos trabalho. Tentam ser os mais fieis possíveis, mas, no fundo, acabam sendo apenas cronistas que expressam sua visão ou sua sensação da partida, que ‘eles’, por ossos do ofício, tem que assistir. Que inveja!

O fato é que, nesse Mundial, estou mais perdido que cego em tiroteio. Sei quais seleções que estão seguindo no torneio, mas não sei como estão estas seleções. Quais as notícias mais importantes, quais as mudanças feitas pelos treinadores. Quais os esquemas adotados. Quais os jogadores que podem entrar e os que podem sair. As brigas de torcida. As torcedoras mais belas. As curiosidades do país sede. Infelizmente isso deve perdurar – e espero que sim, pois tenho a pretensão de continuar trabalhando – para o resto dos meus dias. Sim, isso (acaba) sendo vida.

90 min – O árbitro sopra o apito. É o fim do jogo.



Escrito por Marcos Thadeu às 10h13
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Do paraíso ao inferno

Chegou em casa, por volta das quatro da manhã, caindo de bêbado. A noite anterior tinha sido boa. Saiu com os amigos, bebeu a noite toda. Terminou a noite, pelo que lembra, estirado no chão de casa. No meio da sala. Não se importava, morava sozinho. Aliás, era para exatamente isso que morava sozinho.

No abrir dos olhos, a boca seca, o sol fritando-lhe a face, lembrou que não lembrava de nada. Não sabia com quem havia saído. O que tinha bebido. O que tinha feito.

Tentou, em vão. Esforçou-se, mas nenhuma recordação havia. Quando chega perto da cozinha, a surpresa: a mesa do café estava posta. Achou estranho, mas bebeu daquele café. Amargo, tomou dois comprimidos para dor de cabeça. Comprimido que teimava em chamar de “deuses”.

Ao terminar o café, foi até o banheiro tomar um banho. No meio do caminho encontrou roupas femininas jogadas no chão. Pensou: “peraí, eu não tenho namorada!”. Não entendeu. Ao abrir a porta, depara-se com a mais bela figura feminina que já vira à frente. Linda, loura e, melhor, nua. Ensaboada, dá-lhe apenas um “bom dia”. Com vergonha, por não lembrar o nome dela, apenas contenta-se em admirá-la ao banho.

Quando ela sai do chuveiro, molhada e enrolada na toalha, toma coragem e pergunta: “perdão, mas quem é você?!”. “Eu?!”, responde a moça com ar de espanto. “Eu sou Flávia, a menina que você conheceu na balada”. “Que eu conheci?!”. “É, você pediu para que eu viesse até sua casa, para ficarmos ‘mais à vontade’”.

Ao saber desses relatos, encheu-se de alegria e pensou: “Cara, como será que isso aconteceu?! Ah, não importa! O importante é que me dei bem!”. Mas, ao invés da moça apenas presentear-lhe com horas e horas de prazer, ela simplesmente diz: “olha, não sei quanto a você, mas eu preciso trabalhar. Você me deve R$ 350,00 pelo meu serviço”. Foi aí que entendeu. E, como num passe de mágica, lembrou de tudo. Tinha acabado em uma casa de prostituição, na rua mais badalada da cidade. Mesmo assim, e o dinheiro a menos na conta bancária, sentiu-se feliz. Ao abrir a carteira, o choque. Não era o único dinheiro gasto. Ao verificar as notinhas do cartão de débito, viu que, antes de trazer a moça para casa, havia gasto outros R$ 500,00. Voltou a morar com os pais e, hoje, apenas se diverte tomando refrigerantes e comendo bolinhos de carne seca. Usa todo seu dinheiro para pagar a pensão do filho que teve com a “tal” Flávia, que conhecera meio por acaso, mas que dera a ele a maior das dores de cabeça, que nenhum uísque paraguaio poderia ter proporcionado.

Escrito por Marcos Thadeu às 15h37
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