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Tristeza
No supermercado à frente da seção de bebidas abriu um largo sorriso. Era hora de escolher. Pensou. O que levo? Queria levar tudo. Mas tudo não podia. Uísque, vinho, vodka, saquê, cachaça, eram tantas as opções, tantas as decisões. Decidiu. Um tipo para cada dia da semana. Afinal, a cada dia havia um tipo de tristeza.
Escrito por Marcos Thadeu às 14h43
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Encontro
Mudou-se para a casa ao lado crente que estaria a salvo de si mesmo. Como sempre estava enganado. Entre paredes brancas e limpas, lembranças esquecidas, momentos perdidos. Tentava lembrar mas não conseguia. No tocar da campainha um arrepio. À porta uma mulher jovem, atraente, lhe dá um pequeno e tímido sorriso. Descontente retribui a timidez com outro sorriso. Sem perceber, e sem querer, estava diante da mulher da sua vida. Estava muito deprimido para dar uma chance. Ao contrário, despediu-se da bela mulher sem dizer uma palavra e voltou a ficar entre as paredes brancas e limpas da casa nova.
Escrito por Marcos Thadeu às 13h27
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Quando rosas não funcionam
Eles estavam em crise. Também pudera. Quase não se viam. Trabalhavam fora. Chegavam à noite. Ela a fazer o jantar, ele a assistir o telejornal. Jantavam. Trocavam duas ou três palavras entre garfadas e goles. Nada mais. Ela arrumaria a casa, ele leria um livro à cama. À noite, após todas as tarefas, dormiam. Não cumpriam as “obrigações” de casal. Nem se falavam, davam apenas boas-noites.
Ele, preocupado, pensava no por quê de tanta frieza. Não chegava a nenhuma conclusão. Ela, infeliz, não se conforma mais com o casamento de seis meses. Mas ainda se emociona ao lembrar do dia. Festa chique, cheia de convidados. Muita comida; bebidas então, todas à vontade dos amigos. Amigos, muitos, que ficaram alterados na festa. Amigos que diziam se casar só para ter uma festa igual. Muitos nem cumpriram a promessa.
Ela, mesmo se emocionando, não se conforma a que ponto tinha chegado a relação. Nem se falavam, se olhavam única e exclusivamente por passarem na frente um do outro. E só. Nada mais.
Ela, que já nem lembra mais a data exata do casamento – e sim da festa – sabe que foi em maio, mês das noivas. Ele, ao contrário, sabe bem da data. E ela se aproximava. Era no dia seguinte. Precisava dar um presente. Mas não poderia ser qualquer presente. Tinha que ser o que ela mais adorava. E ele sabia o que era: rosas colombianas.
Precisava agradar a esposa. Algumas atitudes suas a desagradaram profundamente. Outras magoaram-na extremamente. Este mês, o casamento estava por um fio. Mas estava disposto a recuperá-lo. Foi comprar as rosas colombianas.
Chegou a floricultura e se deparou com o alto preço do buquê. Ela merecia tal honraria, mas o orçamento não permitia. Saiu do local desolado. Crente que as tentativas estavam por se esgotar, viu, mais adiante, rosas colombianas a preço acessível. Porém havia um problema: eram artificiais, de plástico. Comprou, achou que não haveria problema.
Ao chegar em casa com o buquê, a mulher abriu um belo sorriso, que o fez lembrar do dia do casamento. Ao dar as rosas à esposa, ela não quis saber. Jogou-as fora e mudou-se para a casa da mãe. Sem entender o por quê disso, voltou-se a assistir o telejornal, como todas as noites. Sem se preocupar. À noite, com o lado esquerdo da cama vazio, sentiu um outro vazio, maior ainda, e se pôs a chorar, copiosamente. Sentia a falta, mas não se dava o direito de ligar para ela. Esperaria que ela ligasse. Mas ela não ligou, ao contrário, mandou, via motoboy, os papéis da separação. No envelope um bilhete de apenas uma frase: “desculpe-me, mas no nosso amor era tão superficial quanto as rosas que você me deu”. Adeus.
Escrito por Marcos Thadeu às 14h36
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Impossível ler sem se irritar
Gostaria de estar pedindo desculpas para os meus leitores por não estar atualizando meu blog com a freqüência com que eu estava atualizando das outras vezes. Porém, vou estar fazendo o impossível para que eu possa estar escrevendo novos textos para que vocês, queridos leitores, possam estar visitando este humilde espaço e, se possível for, estarem lendo e, mais encarecidamente for ainda, estarem comentando no espaço que estão deixando para que vocês possam estar expressando suas opiniões.
Por fim, gostaria de estar agradecendo às pessoas que sempre estão visitando o meu blog. Por último, gostaria de estar pedindo desculpas por esse texto tão ruim e chato de ler, mas eu não poderia deixar de estar prestando minhas homenagens a quem faz do gerundismo um estilo de vida. Obrigado gerúndio, você irrita, a cada dia, mais o meu ouvido.
Escrito por Marcos Thadeu às 15h03
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Quando um texto resolve juntar Einstein, alguns amigos e a rotina de trabalho
Sabe aqueles dias que você não está afim pra nada e não vê a hora de acabar? Pois é, é comum para mim. Mas o que dá para fazer a não ser esperar que ele acabe (dure o tempo que durar)?. Uma vez um amigo meu me disse: “cara, você não pode dar muito crédito ao tempo, ele é relativo”. Bom, decerto esse meu amigo não fazia a mínima idéia do que o tempo significava para mim, mas a explicação dele me vale para passar o tempo, que na maioria dos dias, insiste em ser longo, muito longo.
Mas, apesar do tempo ser relativo (parece que Einstein estava certo) não consigo me acostumar com isso. Horas e horas em que eu poderia estar a fazer algo extremamente diferente e prazeroso, mas não, tenho que, a principio, cumprir um padrão de tempo, rotina que, dificilmente, acabará, pelo resto da minha vida ou dos meus anos, ou dos meus meses, ou dos meus dias, ou das minhas horas....sei lá, nunca se sabe.
O que me deixa mais enfurecido é que o Einstein, aquele senhor alemão, franzino, de cabelos desgrenhados, óculos aparentemente sujos e cheio de giz na lapela de seu casaco ou de sua camisa, está praticamente certo. “O tempo é relativo”. Pense bem, você, amigo leitor/internauta (Millor Fernandes), vai descobrir que é verdadeira essa afirmação.
Não precisa ser um expert em física-quântica ou qualquer outra que seja (aliás, não sei mais nem o básico da Física aplicada no colégio, que dirá da estudada por Einstein) para saber que o tempo, sempre, é relativo.
Outro amigo meu me disse: “esse negócio de tempo é besteira. Você o faz, não adianta lutar contra o relógio, você estará sempre perdendo”. Por aí comecei a pensar e cheguei a conclusão que talvez fosse essa a verdade. Não dá para ganhar do relógio, nem mesmo quando ele quebra. Parafraseando o Doctors MC’s* (que eles não me leiam) a lógica é igual. “tic-tac o tempo vai passando (...)”. É, tudo tem seu tempo. Nada escapa da lógica dos ponteiros.
Porém, mesmo assim, continuo sem ter o que fazer. E pior, num daqueles dias em que o tempo não passa. Daí me leva à outra afirmação, contrária à teoria de Einstein (quanta pretensão!). “O tempo relativo nunca está a nosso favor, muito pelo contrário, ele sempre estará contra nós, não importa o quanto você tente mudar”. É sério, faça as contas, você verá quão trágica é a luta contra o relógio.
*Contribuição: Helder Maldonado (http://hemorragia.blogspot.com/)
Escrito por Marcos Thadeu às 14h28
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