Escrito por Marcos Thadeu às 13h13
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Uma epopéia que resumiu minha vida
Tive a sensação de que minha vida estaria completa ao final de 90 minutos. Bem, pode ser que sim. Foi, para falar a verdade. Uma epopéia nas cores grená e branco que resumiu minha vida. Minha curta, porém interessante vida. Poucos entenderão o que está escrito aqui (tenho consciência disso).
Tudo correu de forma anormal, esquisita – para falar o mínimo – nem parece que tudo fora repentinamente mudado. Mas foi. Ainda bem. Um tal de Edu mudou isso. Para melhor, muito melhor. Não sei até quando, mas no momento foi muito bom.
Uma epopéia começou a ser escrita. Uma batalha começou a ser travada. Um jogo começou a ser jogado. De forma igual. Sem muitas diferenças. Muito disputado. Travado nos mínimos detalhes, como se fora uma partida de xadrez. Nada parece que irá mudar. Mas muda. E de maneira, aparentemente, rápida, intensa, explosiva. Tudo fica de cabeças para o ar. A multidão fica excitada. Eu também. Nunca vira aquilo. Mas vi. Pela primeira e, provavelmente, única vez. Algo indescritível. Algo, de certo modo, surreal. Algo contagiante, inebriante, excêntrico.....lindo, maravilhoso, sensacional.
Tudo se resumiu a 90 minutos. Uma hora e meia em que pude perceber como a vida, ou minha vida, foi mudada naquele momento. Como, de uma hora para outra, um punhado de gente, um apanhado de seres humanos que, pela mesma razão, foram para lá. Mudar a sua vida. E conseguiram. Outros já viram o que eu estava prestes a ver, é verdade, mas para mim, como para muitos outros, seria a primeira vez.
Foi. Ao som do apito, aos primeiros berros pude perceber. Eu não era mais o mesmo. Mudei, para melhor. Mudei. Cresci. Ao final não sabia o que fazer. Berrar. Pular. Comemorar. Não sabia o que fazer. Mas fiz. De tudo um pouco. Fiz com orgulho, de quem vence uma batalha já considerada perdida. De quem chega vivo. De quem permanece de pé ao final de um duelo. Fiz, fiz e fiz.
A vida me passa diante dos olhos com se fora um filme. Anos e anos de dedicação, acompanhamento, alegrias e sofrimentos (muitos, é verdade) foram recompensados com o desfecho dessa batalha. Desfecho feliz. Único, impar, singular na minha história.
Mas eu vi. Estava lá. Pude ver com meus próprios olhos. Ao vivo. Frente a frente. “Meninos, eu vi”.
Posso dizer, com todas as letras, eu estava lá. Pude ver cada olhar, cada gesto, cada passo, cada lance, cada gol. Tudo. Parecia um filme que se mostrava à minha frente. Um filme que, como muitos outros, tem um final feliz, um final que a maioria que está no local assistindo, espera. E aconteceu. Os atores do filme corresponderam à altura. Para a maioria eram os “bonzinhos” vestidos todos de grená, contra os “malvados” vestidos de branco.
A batalha foi cruel. Dois golpes dos “bonzinhos” contra apenas um dos “malvados”. Estava terminada a batalha. Tudo saiu como planejado. Comandante Edu pôde respirar aliviado. Seus soldados, agora, eram livres. Não se renderam em momento algum. Lutaram bravamente até o fim. E venceram. Deixando a todos muito orgulhosos. Pudemos resgatar as raízes perdidas no tempo e na história. Uma raiz forte, que, dificilmente, será quebrada. E eu vi. Estava lá. Presenciei. Fui parte integrante da história.
Acabando a história: Eu vi, pela primeira vez na minha vida, o Juventus ser Campeão. E eu estava lá. Na famosa Rua Javari. Palco onde foi, o que dizem, o maior gol do Rei Pelé. Agora, esse mesmo palco se tornou o da maior conquista que vi. Conquista do lado de minha casa, há menos de 5 minutos dela. Ao vivo. Sem cortes. Sem jogo de câmeras. Sem nada. Apenas eu e meus olhos, nada mais.
Tenho consciência de que nem todos que foram ao palco da batalha viram o embate por essa perspectiva. Pode ser que seja saudosismo meu, mas, de uma maneira ou de outra, o que vale é a paixão que moveu vários mooquenses à Javari. Ver o Juventus, um clube do lado de casa, ser campeão, mesmo que seja de pouca expressão. Não importa. Foi campeão. E isso, ninguém tira. Está registrado na história. Não há como negar.
Escrito por Marcos Thadeu às 00h14
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