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ilustre (des)conhecido


O que não mata, engorda. E muito...

Não há como negar. Ela está lá. Protuberante, exuberante, grande, para falar a verdade. Desde que conhecemos o tão e belo produto derivado da cevada ela começou a aumentar. A barriga.
E sempre foi a mesma piadinha. “Nossa, como você engordou! Você anda bebendo cerveja demais, meu filho!”, isso para pessoas que você tem contato. Para as que não tem o contato a piadinha é outra. “Nossa, você não era assim nos tempos de colégio. O que foi, começou a beber?”. E nunca temos explicação para o começou de vida alcoólica.
É sempre assim. Cervejas, cervejas. O lúpulo fazendo efeito. O malte aguçando nosso desejo de “quero mais”. E a cevada deixando o gosto e a refrescância inconfundíveis na nossa boca. Quem inventou a cerveja tinha claro, esses motivos:
Deixar a pessoa satisfeita, com vontade de querer mais e, por último, deixá-la gorda, ou em outras palavras, sem nenhum preparo físico, para nada. E acontece com todos.
Há quem diga que não tenha esse efeito. Mas, para as pessoas que apreciam o valor de uma cerveja, e detestam qualquer atividade física, o efeito é sempre o mesmo. O aumento do chamado “panceps”. O músculo mais trabalhado pelos homens admiradores do líquido sagrado.
Pensando nisso é que, mais por ser forçado, fui ao médico para realizar “um check-up gera na situação”. O diálogo com o dotô é comum a todos que passam por esse tipo de consulta.
- Por que você está vindo aqui?
(Você não fala que foi forçado e diz:)
- Ah, porque faz tempo que eu não me consulto, é apenas para ver como andam as coisas.
- Você fuma?
- Não
- Você bebe?
- Sim
- Você faz atividades físicas?
- Futebol aos sábados. Você fala com ar de desprezo.
- Só aos sábados? Pergunta o médico.
- Sim
- Isso não conta. Atividade física conta a partir de 3 vezes por semana.
- Tudo isso?
- Sim.
- Agora vamos ver. Quanto você tem de altura?
- 1,72
- Vá à balança se pesar. Ah, pois bem, 88 quilos. Seu índice de massa corpórea está no limite da obesidade.
- Sério? Pensei que estivesse pior.
- Faça alguns exames e me entregue.
Feitos os exames descobri que nada era preocupante, pelo menos para mim. Umas alterações em alguns índices dos quais não entendo, mas nada que prejudicasse a vida e os hábitos.
Mas o pior é que mesmo assim sempre ouvimos as mesmas piadinhas de sempre. “Nossa, como você engordou!”. “Você não era assim nos tempos de colégio”. Certo, da próxima vez que você ouvir esse tipo de piadinha, fale à pessoa que a fez. “Ainda bem, porque o que não mata engorda. Se eu estou vivo ainda é porque não comi ou bebi nada que me matasse, pelo contrário, só comi e bebi algo que me engordasse”.

Escrito por Marcos Thadeu às 13h13
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Uma epopéia que resumiu minha vida

 

Tive a sensação de que minha vida estaria completa ao final de 90 minutos. Bem, pode ser que sim. Foi, para falar a verdade. Uma epopéia nas cores grená e branco que resumiu minha vida. Minha curta, porém interessante vida. Poucos entenderão o que está escrito aqui (tenho consciência disso).

Tudo correu de forma anormal, esquisita – para falar o mínimo – nem parece que tudo fora repentinamente mudado. Mas foi. Ainda bem. Um tal de Edu mudou isso. Para melhor, muito melhor. Não sei até quando, mas no momento foi muito bom.

Uma epopéia começou a ser escrita. Uma batalha começou a ser travada. Um jogo começou a ser jogado. De forma igual. Sem muitas diferenças. Muito disputado. Travado nos mínimos detalhes, como se fora uma partida de xadrez. Nada parece que irá mudar. Mas muda. E de maneira, aparentemente, rápida, intensa, explosiva. Tudo fica de cabeças para o ar. A multidão fica excitada. Eu também. Nunca vira aquilo. Mas vi. Pela primeira e, provavelmente, única vez. Algo indescritível. Algo, de certo modo, surreal. Algo contagiante, inebriante, excêntrico.....lindo, maravilhoso, sensacional.

Tudo se resumiu a 90 minutos. Uma hora e meia em que pude perceber como a vida, ou minha vida, foi mudada naquele momento. Como, de uma hora para outra, um punhado de gente, um apanhado de seres humanos que, pela mesma razão, foram para lá. Mudar a sua vida. E conseguiram. Outros já viram o que eu estava prestes a ver, é verdade, mas para mim, como para muitos outros, seria a primeira vez.

Foi. Ao som do apito, aos primeiros berros pude perceber. Eu não era mais o mesmo. Mudei, para melhor. Mudei. Cresci. Ao final não sabia o que fazer. Berrar. Pular. Comemorar. Não sabia o que fazer. Mas fiz. De tudo um pouco. Fiz com orgulho, de quem vence uma batalha já considerada perdida. De quem chega vivo. De quem permanece de pé ao final de um duelo. Fiz, fiz e fiz.

A vida me passa diante dos olhos com se fora um filme. Anos e anos de dedicação, acompanhamento, alegrias e sofrimentos (muitos, é verdade) foram recompensados com o desfecho dessa batalha. Desfecho feliz. Único, impar, singular na minha história.

Mas eu vi. Estava lá. Pude ver com meus próprios olhos. Ao vivo. Frente a frente. “Meninos, eu vi”.

Posso dizer, com todas as letras, eu estava lá. Pude ver cada olhar, cada gesto, cada passo, cada lance, cada gol. Tudo. Parecia um filme que se mostrava à minha frente. Um filme que, como muitos outros, tem um final feliz, um final que a maioria que está no local assistindo, espera. E aconteceu. Os atores do filme corresponderam à altura. Para a maioria eram os “bonzinhos” vestidos todos de grená, contra os “malvados” vestidos de branco.

A batalha foi cruel. Dois golpes dos “bonzinhos” contra apenas um dos “malvados”. Estava terminada a batalha. Tudo saiu como planejado. Comandante Edu pôde respirar aliviado. Seus soldados, agora, eram livres. Não se renderam em momento algum. Lutaram bravamente até o fim. E venceram. Deixando a todos muito orgulhosos. Pudemos resgatar as raízes perdidas no tempo e na história. Uma raiz forte, que, dificilmente, será quebrada. E eu vi. Estava lá. Presenciei. Fui parte integrante da história.

Acabando a história: Eu vi, pela primeira vez na minha vida, o Juventus ser Campeão. E eu estava lá. Na famosa Rua Javari. Palco onde foi, o que dizem, o maior gol do Rei Pelé. Agora, esse mesmo palco se tornou o da maior conquista que vi. Conquista do lado de minha casa, há menos de 5 minutos dela. Ao vivo. Sem cortes. Sem jogo de câmeras. Sem nada. Apenas eu e meus olhos, nada mais.

Tenho consciência de que nem todos que foram ao palco da batalha viram o embate por essa perspectiva. Pode ser que seja saudosismo meu, mas, de uma maneira ou de outra, o que vale é a paixão que moveu vários mooquenses à Javari. Ver o Juventus, um clube do lado de casa, ser campeão, mesmo que seja de pouca expressão. Não importa. Foi campeão. E isso, ninguém tira. Está registrado na história. Não há como negar.

Escrito por Marcos Thadeu às 00h14
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