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Contando a História lança: “Notícias da Terra do Nunca”.

Fatos inverídicos, mas que deveriam ser verdades.

 

Notícia de Hoje.

 

Lateral Roberto Carlos assina contrato com o Juventus

Isso mesmo. A foto acima é a apresentação do lateral ao Moleque Travesso. O jogador pentacampeão resolveu rescindir o contrato com o Real Madri da Espanha para realizar um sonho. Jogar pelo Juventus da Mooca.

Disse na apresentação que os planos para o time são audaciosos. “Voltamos à primeira divisão e vamos brigar pelo título”, afirmou Roberto. Questionado sobre os motivos que fizeram ele largar o clube madrileno, Roberto foi enfático. “Quando jogava no Palmeiras nutria um carinho especial pelo Juventus. Sempre torcia para ele contra os outros grandes”.

Bem sucedido e mundialmente conhecido, Roberto acha que sua nova “casa” irá proporcionar momentos de alegria, não somente para ele, mas para os moradores do bairro da Mooca. “Espero dar muitas alegrias aos moradores da Mooca, gosto muito daqui” disse.

Outro motivo que levou o lateral a abandonar a Europa foi a saudade da comidinha italiana que saboreava no bairro quando atuava pelo Palmeiras. “As pizzas do bairro são as melhores”, disse com a boca salivando de vontade.

A estréia de Roberto Carlos com a camisa 6 do Juventus está marcada para o ano que vem, quando o clube volta a disputar a série A1 do Campeonato Paulista.

A reportagem do “contando a história” foi ouvir o presidente do clube, Armando Raucci, que se diz satisfeito com a vinda do jogador à Rua Javari. “Trata-se de um grande reforço, mas precisamos reforçar ainda mais o elenco”. Segundo fontes próximas do clube, pudemos apurar que o Moleque Travesso está prestes a repatriar o meia Denílson, que atualmente defende as cores do Real Bétis da Espanha.



Escrito por Marcos Thadeu às 11h08
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Torcedores e suas diferenças    

 

Dois amigos resolvem ir a um jogo de futebol. Não era qualquer jogo. Final de campeonato. Rivalidade estadual. Estádio, com certeza, lotado. E lá foram eles. Carlos, o calmo e Nelson, o nervoso. Chegaram cedo. Três horas antes. Encontraram uma turma de conhecidos que os esperavam no bar à frente do Estádio. Palco da grande decisão. Começaram a conversar. Cervejas, cervejas e mais cervejas foram degoladas. Discutiram sobre o time. Desfalques preocupavam Nelson. Carlos, ao contrário não abria a boca. Quando perguntavam apenas fazia afirmações monossilábicas.

Chega a hora do jogo. Adentram o Estádio. Lotado. Formas, cores, faixas, bandeiras, fogos, gritos, enfim, tudo levava a crer que seria uma grande decisão. Times entram em campo. A euforia toma a face de Nelson, o nervoso. Carlos, o calmo, como de costume pouco se importa. A partida estava para começar.

Carlos vê ao longe um vendedor de água. O chama. Compra um copo para o primeiro tempo. Nelson não quer nada. Quer atenção única ao gramado. Começa o jogo. Truncado, como uma decisão deve ser. Nelson, o nervoso, observa atentamente a partida e começa fazer previsões. Se jogarmos pelas pontas, poderemos marcar um gol, não acha Carlos? Ahã, afirma o amigo. O tempo estava passando e o gol não saía.

Carlos saboreava amendoins, descascados um-a-um como se fora um ritual de sobrevivência. Comia e sempre dava um gole ao copo d’água. Nelson, ao contrário roia as unhas com a voracidade de quem come uma coxa de frango com as mãos. As unhas não resistiam. Foram se todas. Apita o árbitro, fim do primeiro tempo. Zero a zero. O time joga mal, não consegue chegar a ameaçar o adversário. Nelson respira fundo e se diz satisfeito com o resultado. Podia ser pior, afirma. Carlos nem dá bola. Continua a saborear os amendoins.

Nelson levanta-se. Quer espreguiçar as pernas, fazer o sangue fluir. Comenta o primeiro tempo. Não se conforma com a qualidade do futebol apresentado pelo seu time do coração. Que aprendeu a torcer com o pai. Torcedor fanático como Nelson. Carlos, ao contrário, torce porque gosta, e, quando menino, viu o time ganhar vários títulos, daí a simpatia.

Os juízes voltam ao gramado. Nenhuma reclamação a fazer. A arbitragem tinha sido impecável. Os times regressam. Sem nenhuma alteração. Nelson não se conforma. Queria mudanças. Mas não tiveram. Começa o segundo tempo.

A bola rola e as unhas, comidas durante o primeiro tempo não mais dão conta da ansiedade de Nelson. Carlos agora come um saco de pipocas, compradas no intervalo. O jogo segue.

Nada de perigo. Os times estavam se estudando no começo do segundo tempo. Nelson está apreensivo. Os dedos, agora todos em carne-viva representam tamanho nervosismo. Carlos começa a prestar mais atenção ao jogo. Mas apenas olha-o com destreza.

Quando tudo caminharia para um fraquíssimo zero a zero, o juiz da partida deixa de marcar um pênalti a favor do time de Nelson e Carlos. Indignado com o que acabara de ver, Nelson não se conforma e grita. Juiz, seu filho-da-puta, ta roubando nóis! Carlos, ao contrário, não esboça reação e diz. Não foi pênalti, o atacante se jogou. Nelson não se conforma e fala. Ah Carlos, você está cego? Não estou, por que? Ah. Vai tomar no seu cu e me deixa ver o jogo em paz. Carlos espanta-se com a atitude do amigo.

Continua o jogo. O adversário faz um gol e fica em vantagem. Faltando poucos minutos para o fim da partida. O time dos dois amigos precisa desesperadamente de um gol. Nelson está em estado de choque e Carlos, vendo que o time perderia o campeonato começa a esboçar uma reação. Xinga o juiz por cada falta dada contra e cada falta não marcada. Xinga o técnico do time por não mexer na equipe. Xinga a todos. Até o sorveteiro que trabalhava no estádio. Olha o sorvete, geladinho! Quem vai querer? Grita o sorveteiro bem à frente de Carlos. Vai sorvete, aí. Fala para Carlos. Eis que, demonstrando total descontrole pela partida, Carlos responde. Ô seu filho de uma puta, quer sair da minha frente, porra! Estou querendo ver o jogo.

Intrigado, Nelson resolve conversar com o amigo. O que foi Carlos, que está acontecendo? Agora não Nelson, está quase acabando o jogo, me deixa em paz para eu ver o ataque do nosso time. O time melhora. A equipe mais aguerrida tenta de todas as formas chegar ao empate. Que não vem. Fim de jogo. O time de Nelson e Carlos sai derrotado da partida. Perdem o campeonato. Inconformado com o resultado, Carlos resolve gritar. Ah! time de merda, nunca mais venho a uma final! Diz Carlos. Acho que você deve ter dado azar ao time, nunca vem ao estádio, afirma Nelson. O quê? Eu? Vai tomar no seu cu. Até parece. Claro que sim, vir só na final é muito fácil. O quê? Carlos não se conforma e parte para cima de Nelson, dentro do estádio. Torcedores à volta, mais conformados, separam a briga. Os dois prometeram nunca mais se falarem. E cumprem essa promessa até hoje. Mesmo que 20 anos tenham se passado desde aquele jogo.

Escrito por Marcos Thadeu às 16h39
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